14 de setembro de 2017 às 00:00
Rato molhado
O que exprimo
É apenas metade da noite
Que não dorme em mim
Habituei-me ao fracasso
Uma vida feita de não e talvez
Sei mover-me por entre
Choros cansados, reclamos
Almas ressabiadas que cantam
Conheço todos os sinais da amargura
Palavras que lançam o mundo
Ao chão, gestos que espanam
A glória alheia, diminuições
Envergonhadas
Sei tudo acerca de ser duro
Anatomia de um bolso vazio
Arquitetura de um coração trancado
Há no fracasso alguma sabedoria,
É fato, porém, mesmo o rato
Molhado no interior das manilhas
Pede um raio de sol, sonha
O frescor tépido das manhãs,
Bafo ameno dos dias
Que sopra por todas as criaturas
Ali, à beira-rio,
Onde antes era relva e agora
Agora muro frio de cimento cinza
Um roedor espreita o brilho da luz
Solitário, esboça um sorriso:
No mais baixo da auto-estima
Também a alegria da vida
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