30 de novembro de 2017 às 00:00
Burgo frio

A Friburgo que me enerva
Sobretudo a subalterna
Pequeno-burguesa, lerda
Aposentada do espírito
Inimiga do talento
Fugitiva da invenção
Que resguarda o sentimento
Nega amor ao coração
A Friburgo que me irrita
Tão estulta quando imita
Tudo mais que mal conhece
A Friburgo que se esquece
Do tesouro que é a vida
Elite tensa, encolhida
Pouco dá e muito tira
Paga mal à mão amiga
Paga bem a quem de fora
Gente mal-agradecida
Sem memória, sem história
Garroteia a própria lida
E depois se senta e chora
Essa Friburgo não quero
Sem afeto eu me exaspero
Essa Friburgo abomino
Quero sonhos de menino
Essa Friburgo estrangula
Confunde fome com gula
Essa Friburgo sufoca
Cabresto que se coloca
Essa Friburgo fechada
Na copa de suas montanhas
Essa Friburgo tacanha
Furtiva, mais: desconfiada
A cidade interessada
Numa relação estranha
Onde amar significa
Tudo que não modifica
Nem mexe em suas entranhas
Como vivesse parada
Entre serras isolada
Essa cidade fadada
À cópia, ao esquecimento
Entre morros apertada
Confinada contra o vento
Inimiga do talento
Fugitiva da invenção
Elite tensa, encolhida
Com dinheiro e sem razão
Vive chorando miséria
Vive fazendo pilhéria
Contra o fraco seu irmão
Cidade de preconceitos
Contra pobres, contra pretos
Mas, preconceito velado
Sentido, porém, não-dito
Um preconceito maldito
Puxa a cidade pra baixo
E faz o burgo mais frio
Num vale fundo, pedante
Supostamente elegante
No fundo, muito atrasado

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