25 de dezembro de 2017 às 00:00
Indiferente
vivo no limite da indiferença
que é a morte do amor e do cuidado
ali esqueço a vocação para o outro
ali resulto cínico, na fronteira
                        [de minha própria nulidade
vazio de entusiasmo
vou ao mundo por mim
por minhas faltas e desejos
jamais por seu apelo primal
e a nostalgia insaciável
                        [de uma vida alegre e sã
neste território árido, inóspito
                        [da indiferença
valho-me de objetos comprados
                        [e pessoas possuídas
para a compensação imediata
de vazios múltiplos, no coração
                        [e na alma
nunca estou
nunca sou
nunca dou
nunca posso ficar ou receber
vivo indo... para onde, não sei
porquê, também não
tenho apenas esta ânsia
                        [por companhia
e por companheira
                        [esta imensa solidão


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