29 de dezembro de 2017 às 00:00
Carol, Carolina

Não seremos tristes
Que o amor não é triste
Seremos, talvez, melancólicos
No que há de sabedoria e sabor na melancolia
Circunspectos seremos
Avessos à distração, ao divertimento
Que a atenção diverge e fraciona
Serenos, por certo, seremos
Que a saudade é um tempo fora do tempo
E voa com a flor da tarde
Seremos mais silenciosos
Que o silêncio permite-nos ouvir
O rumor elétrico das estrelas
No longínquo do céu
Onde se guardam segredos insondáveis
E lá também o amor que nos espera
Seremos cada vez menos verão
E muito mais primavera
Onde renascer tomados de vida
Esta que a todo momento nos foge
E urge e arde em esperanças de reencontro
Seremos, sim, a prece expressa com a alegria do corpo
A dança por dentro de nossas lágrimas
A paixão imorredoura pela natureza
Seremos mar, céu, lua, luar
Ondas que vêm e vão
Os planctons e a maré lunar
A delicadeza da flor
Altas montanhas
Vastas planícies
Seremos a mão solidária que se estende infinita aos que necessitam de ajuda
E a quem necessitamos em silêncio ajudar
Em nome de um amor que nos expande
Em sua ausência
Presente, sempre, em nossos corações
Seremos a certeza de que tudo foi bom e grandioso
Em seu pequeno tamanho
Oculto ao véu do cotidiano
Seremos Simone, Priscilla, Solano
Seremos fortes, muito mais que a morte
Temos a memória da pele
A obstar o esquecimento
Que nos sequestra os sonhos
Não seremos de forma alguma tristonhos
Que amor é riso, riso calmo
Emoção e sentimento na justa medida
Seremos a vida que segue
E a saudade que fica na canga dourada
Seremos caracol anzol atol purpurina
Seremos crisol rouxinol arrebol colina
Seremos portunhol espanhol farol neblina
Seremos lençol bemol paiol campina
Seremos terçol girassol guarda-sol parafina
Seremos sol anzol semancol Carol
Seremos Carolina

 

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