13 de janeiro de 2018 às 00:00
Premonições à mesa de bar

Você foi nos acostumando a viver sem você
(Como se fosse possível)
Com seu sono demasiado
Trancada no quarto
Com suas noites longas e jovens, Sedentas de intensidade e encontros pela cidade
Cada vez mais arredia a obediências e limites
Como fôssemos, sua mãe e eu, intransigentes conservadores

Puro despistamento, apenas
Preparação mera, percebo agora
Uma recusa ao nosso convívio
Sem recusa alguma ao nosso imenso amor
Uma fuga ansiosa
Uma ânsia fugidia
Uma pressa em tudo e por tudo
Uma impaciência

Inquieto, terrivelmente inquieto,
Nada se me explicava a contento
Não era tola
Não era insensível
Não era burra como todo egoísta
O que era, então?
Uma intuição da morte, talvez
Um instinto que diz com voz interior um segredo insabido
Uma desagradável resposta que não podemos dar
A respeito da urgência que sentimos
Expressa tão claramente
Na brincadeira entre amigos
De perguntas e respostas à mesa de bar
Em sua última noite neste mundo:
Como gostaria de morrer?
Aos 60 com corpo de 30 e sem dor...
O que gostaria de ter feito diferente?
Gostaria de ter passado mais tempo com meus pais...

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