28 de janeiro de 2018 às 00:00
Agora

Ah, filha minha!
Agora, é lhe procurar nas estrelas
Onde meus olhos cansados
Não alcançam
É ouvir os sons das esferas
Que ouvidos moucos não captam
É perquirir a sobrevivência da alma
Para supor sua presença nalguma dimensão outra do Universo
Onde receba meu afeto imortal, eterno

Agora, é lhe ver nas mocinhas
Que vão pelas ruas
Nos cabelos, narizes
Jamais no andar, que era único
(Gaiato e charmoso a um tempo)
É imaginar que me possa ver
Ou receber notícias nossas
De seus entes queridos e apaixonados

Agora, é aguardar que me visite em sonhos
(Como o tem feito desde o primeiro ano)
Para me consolar a desolação,
O deserto
E refazer as forças no voo noturno do espírito
Para além do corpo e do sono
Onde nos reencontramos
A reviver a presença insubstituível
E, assim, repartirmos uma vez mais tanta afeição e sentimentos

Lágrimas abundantes,
Importunas, incontidas, derretidas
São o mar da saudade
Que vasa aos olhos
São preces de um coração seco
(E cético)
Agora, é chorar chorar chorar
Recordar sorrir lembrar
Ouvir e reouvir a voz gravada
Falar com você sem lhe ver
Cantar para você
Dormir na expectativa do sonho
Agora, é o ontem
O amanhã que (não) vem
Cada dia que se acaba
É um dia a menos sem você
E logo o agora se acaba

 

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